ENCONTRO NÃO ESPERADO

ENCONTRO NÃO ESPERADO

Mais algumas semanas após ter deixado os presentes para Vanessa. Eis que recebo um convite dela para um evento de moda em Sampa. Disse que estaria em minha cidade por alguns dias. Relutei um pouco. Já tinha um compromisso. Mas como tantas vezes antes, desmarquei o e aceitei sair com ela.

Passado alguns dias eu a encontrei. Estava linda de preto, mais magra e com aquele sorriso enorme que persiste em existir.
Não fiz nenhum elogio. Vanessa nunca recebeu bem qualquer elogio meu.

Divertimo-nos, conversamos, bebemos e tiramos fotos. Terminamos a noite no Bar de meu irmão, comendo comida mexicana e tomando margaritas, sua bebida preferida.

Estávamos um pouco frios, distantes, mas foi muito bom esse encontro.

Dias depois um convite para uma festa em outro estado. Convite aceito e voltamos a pegar estradas juntos. Horas cantando e conversando.

Ah...como somos bons nisso.

A festa foi fantástica. Vanessa estava linda e radiante, transbordando alegria. Estava entre familiares e isso a fez sentir-se muito bem. Confesso que nunca há vi assim antes. Conversamos, dançamos e bebemos a noite toda. Sem duvida o Bar era nosso.
Fim de festa, já na cama, cansados, conversamos um pouco antes de dormir. Dormir não... Desmaiar.

Tive vontade de falar à falta que me fez. Mas não falei.

No outro dia, pegamos a estrada para retornarmos e eis que, como sempre acontece conosco, uma simples parada para almoço torna-se uma aventura inesquecível por uma cidade turística, totalmente desconhecida para nós.

Caminhamos, almoçamos e resolvemos fazer um passeio pela cidade um ônibus de turismos. A fila estava grande e o sol forte. Eu já estava desistindo do tal passeio, quando Vanessa sai e volta com a opção de fazermos um passeio de Jeep.
Claro que topei na hora e contratamos o tal passeio.

A diversão começou enquanto esperávamos a chegada do Jeep. Ficamos parados ao lado de um bar com musica ao vivo. Enquanto aguardávamos Vanessa dançava e cantava... Ali, na calçada mesmo. Eu fiquei admirando... essa era minha GIRALUA... Como amo esse seu jeito de ser.

O passeio era maravilhoso. Trilha de terra pelas montanhas com direito a cachoeiras, risos e fotos... Muitas fotos.

Normalmente, eu sou a pessoa que faz brincadeiras com os outros para quebrar o gelo. Mas nesse dia Vanessa estava inspirada e brincou com todos. Chegou até a protagonizar uma cena das mais hilárias, ao se assustar com uma galinha durante o passeio. Uma cena que causou muitos risos e que, com certeza, vai ficar guardada na mente das pessoas que nos acompanhavam, assim como ficou na minha. Esse acontecimento foi tão marcante que escrevi até um pequeno texto sobre ele:

O Safari
A historia que vou contar pode parecer ficção, uma história inverídica. Mas acredite, aconteceu, quase, da forma como irei narrar.
Tudo se passa em um Jeep, na Savana africana, durante um safari fotográfico.
Junto comigo esta minha melhor amiga. Aquela que confio e que é a melhor companhia para qualquer situação.
Estou eu sentado no banco da frente, na porta do passageiro, a melhor posição para fotografar a vida selvagem. Ao meu lado, no meio do banco, minha amiga. E claro, o motorista do Jeep no seu devido lugar.
Nós bancos de traz, mais 57 alguns turistas em busca de aventuras.
Desenhada a situação inicial, vamos ao ocorrido.
Segue o Jeep pela trilha ensolarado e perigosa da savana. Todos sabem que animais perigosos estão escondidos na mata e as vezes até a espreita na beira da estrada.
Estou eu na porta do Jeep, atento, focado, esperando uma chance para fazer uma bela fotografia de um animal selvagem.
O veiculo vai seguindo pela trilha, sem muita ação. De repente, um grito apavorante enche o ar, quase estourando os tímpanos de todos. É minha amiga a dona desse grito, que, sem dúvida, ecoou por quilômetros na vasta savana africana.
O motivo do grito: um leão que ela avista há poucos metros de distância da porta em que me encontro.
Meu coração congela de pavor com aquele grito, assim como de todos no Jeep.
Ninguém, além dela, havia conseguido ver o animal.
Em poucos segundos, todos, menos eu, estavam a procura do perigo que gerou tal horripilante grito. Era instintiva essa ação.
Por que eu disse todos menos eu? Porque, como amigo que sou minha reação foi virar como um raio, em direção de minha amiga, para salva-la seja lá do perigo que fosse.
Com o coração na garganta e ainda congelado de medo, eu me vejo então sendo empurrado do carro em direção a provável fera.
Minha vida passou toda em câmera lenta pelos meus olhos, naquele pequeno lapso de tempo.
Passa em minha cabeça estender as mãos para minha amiga, pois com certeza ela irá me segurar.
Totalmente em Pânico, sendo lançado em direção ao leão, me agarro a porta e... Vejo então, com um misto de surpresa e terror, que quem está me empurrando pela porta afora é ninguém mais, ninguém menos, que minha querida e amada amiga.  Quem diria!

Ok, confesso que exagerei um pouco nessa narrativa. Com certeza, da forma como narrei, seria compreensível à ação de minha amiga. Quem não se assustaria avistando um leão tão perto de seu amigo, não é? Mas só que não.
A história não foi bem assim.  Veja bem:
O Jeep existiu.
A amiga querida também.
O motorista e turistas idem.
A savana africana foi uma licença poética. Na realidade tudo se passou em uma trilha no entorno da cidade de Penedo.
Ao invés de um selvagem leão... Uma galinha.
Sim, uma galinha tão assustada quanto todos nós no Jeep. Rsrsrs
O grito e o empurrão, esse sim são verdadeiros e narrados precisamente como ocorrido.
O ponto comum e mais hilário da história foi, sem dúvida nenhuma, a minha cara de surpresa com toda essa situação. Rsrsrs!!!
Não preciso dizer que, após o susto, todos riram muito, oque uniu todo grupo, arrancando do motorista do Jeep a afirmação que, embora essa fosse a última excursão do dia, sem dúvida nenhuma, foi a melhor.
Quanto a galinha, posso afirmar que, embora traumatizada, ela passa bem.
Essa é apenas uma das inúmeras aventuras que passamos, quando juntos.
É assim que sempre acontece quando se juntam GIRAMUNDO e GIRALUA.

Voltando ao passeio.
Em algumas paradas nas cachoeiras para fotos, algumas vezes, Vanessa questionou se eu entendia a sintonia que tínhamos. Tive vontade de explicar, mas essas coisas não se explicam. Ou se descobre sozinho ou passa-se pela vida sem entender.

Nunca Vanessa fez self´s nossas, fotos eram sempre um habito meu. Dessa vez, não só fez selfs maravilhosos, como também fez fotos minha e pediu para nosso guia nos fotografar. Coisas realmente novas aconteceram nesse passeio.

Na estrada, já à noite, voltamos à cantoria e conversas.
Falei um pouco mais de minha viagem e sobre a amiga italiana que me acompanhou. Falei de como ela era antes de eu a encontrar e como estava mudando, principalmente com a viagem que fizemos.
Vanessa então começou a traçar um paralelo comigo, e como fazia antes, o assunto então passou a ser “eu”. Mais uma vez comecei uma analise gratuita.

Em outros tempos essa conversa terminaria como tantas outras, em discussão. Mas isso não mais. Agora, Vanessa poderia falar oque quiser sobre mim.
Entendo que ela tem uma dificuldade muito grande de dizer coisas boas a meu respeito. Como ironizou uma vez, seu saco de confetes é pequeno.
Existem muitas lembranças e sentimentos recalcados a meu respeito, que não foram trabalhados.  Por conta disso sobra sempre uma critica acida.

Mas tudo bem.  Nesse nosso distanciamento eu aprendi a me calar e não me importar com opiniões que não são construtivas. Acho que ela deve ter entendido meu silencio.
Mas houve surpresas agradáveis também, eu diria até mágica em nosso retorno.
Na estrada aconteceu algo que nunca eu iria imaginar e que me tocou profundamente.
 Paramos para comer em um lugar a céu aberto. Estava frio. Eu não havia levado blusas nessa viagem, mas Vanessa sim.

Enquanto comprava algo para comermos, Vanessa foi em direção ao carro. Eu sentei em uma mesa e olhando ao longe, eu a vi pegando algo no porta malas e voltar em minha direção.

Em sua mão, ela trazia o Xale que lhe comprei em Milão.
Pensei que talvez ela estivesse com muito frio e fosse colocar em seu pescoço. Mas, qual não foi minha surpresa quando ela o abre e o coloca sobre minhas costas.
Fiquei sem palavras... Não esperava esse gesto de carinho. Isso não era habitual em Vanessa.

Dessa vez meu silencio não foi intencional.

Vejo que durante esse afastamento que tivemos mudanças não aconteceram apenas em mim.
Nesse momento, mais uma vez tive muita vontade de dizer-lhe a falta que me fez.
Que, sem duvida nenhuma, era ela que eu queria comigo na viagem a Itália e quem sabe, no resto de minha vida.

Mas nada falei.

Dessa vez eu a amei do jeito certo no momento errado.

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