E POR FIM...O FIM.
O ÚLTIMO CONVITE
“...dos amores que eu
tive, você é a saudade que eu gosto de ter...”
Vanessa me mandou recentemente uma mensagem, convidando para que eu
fosse até seu paraíso comemorar seu aniversário.
Foi uma surpresa, uma grande surpresa, pois nesses anos todos de reencontro ela só me convidou no início para visita-la, depois nunca mais.
Como em anos anteriores, eu já vinha comprando alguns presentes para seu
aniversário. Pretendia despacha-los como fiz da última vez.
Eu gostava de comprar presentes para Vanessa pois, a cada um que
recebia, eu percebia uma alegria natural, verdadeira, quase infantil. Como uma
criança que recebesse a boneca que tanto queria, era essa energia que Vanessa
irradiava quando eu lhe dava algo e por isso ela era a única pessoa a quem eu
sempre comprava algo, quando em viagem.
Nunca me preocupei com preço, grife ou modismos na hora de comprar lhe
algo. Na verdade, os presentes se apresentavam a mim em momentos e lugares
inesperados, algo como se estivessem pedindo para leva-los até ela.
Dessa vez não foi diferente. Meses antes, em viagem, passando pela
joalheria de um aeroporto em que me encontrava. Vi um porta joias e lembrei me
que nunca havia reparado um em seu quarto, quando de minhas visitas. Claro que
comprei na hora.
Após seu convite, fiquei empenhado em procurar algo que marcasse nossa
relação. Algo que tivesse haver com o jeito carinhoso que eu a chamava:
GIRALUA.
Dessa vez, e pela primeira vez, eu sai a caça de algo especifico para
ela. Havia decidido que seria um par de brincos. Vanessa adora brincos.
Foram muitas ida e vindas a shoppings e joalherias até encontrar algo
que me pareceu representativo.
Resolvi que iria de carro até seu paraíso. Era uma viagem longa, mas
estaria bem acompanhado de uma de minhas filhas, a quem Vanessa convidou e
tanto queria conhecer.
No viagem eu e minha filha fomos conversando sobre muitas coisas, pois
foi uma viagem longa. Entre os assuntos eu lhe contei minha história com
Vanessa, desde seu início. Também lhe preparei para não se assustar com as
pequenas brigas que veria entre eu e Vanessa, pois isso já era rotina entre
nós. E ela realmente presenciou algumas.
Chegando ao Balneários, fomos direto a casa de Vanessa, que nos
aguardava com um almoço. Após o almoço fomos para casa a beira mar, conhecida
como Picolla vila, onde nos hospedaríamos e também seria realizada sua festa de
aniversario.
Picola vila era uma residência montada no alto de um morro, com três
andares de construção, todos com uma vista fantástica para uma pequena baia.
Logo na entrada uma sala maravilhosamente decorada, com uma sacada de
madeira com vista direto para a baia. Uma vista de tirar o folego.
Descendo uma escada de madeira, saímos em um ambiente aberto para
almoço, cozinha e mesas voltada para o mar. Um salão de festa com a mesma vista
para mar. Mais um lance de escada e chegamos ao deck da piscina. Esse um lugar
de tirar o folego, pois, a piscina foi montada sobre uma estrutura elevada que
fazia com que uma de suas bordas ficasse como se projetada no ar. Um fundo
infinito com a baia.
Picola vila era um local realmente privilegiado. A noite a vista era
fantástica e de dia, simplesmente espetacular.
A noite fomos ao teatro. Vanessa havia comprado ingresso para alguns
amigos que estariam na festa no dia seguinte. Após o teatro fomos jantar a
beira mar.
Retornamos tarde para Picola Vila. Ficamos sentados na varanda com vista
ao mar conversando. Ao dar meia noite eu abri um espumante e nos três brindamos
o aniversário de Vanessa. Uma noite especial e inesquecível. Dei os seus
presentes e ela se encantou com eles.
No outro dia tivemos a festa. Ali, naquele dia, eu vi Vanessa com o
sorriso mais lindo que podia ter. Ela estava radiante de alegria pelos amigos
presentes e pelo ambiente.
Eu a deixei à vontade nesse dia. Ela flanava alegremente entre seus
amigos e eu não quis tirar aqueles momentos dela. Fiquei ajudando na festa e
curtindo o lugar com minha filha.
Durante a festa eu a ficava observando e fotografando a distância. Ela
estava linda, esbaldando alegria. Tinha no rosto não aquele sorriso automático
que normalmente apresente. Mas um sorriso de uma intensidade envolvente.
Ah Vanessa... por que você não vive a vida leve e solta desse jeito?
A noite subimos todos para a sala da Casa, onde seria cortado o bolo.
Alguns convidados foram para casa trocar de roupas e outros, que não estavam
presentes durante o dia, foram chegando.
Ficamos reunidos aguardando Vanessa. Eis que ela entra e me deixa
emocionado.
Vanessa entra radiante. Um sorriso gigante, daqueles que vem da alma,
dançando e rodopiando em um vestido branco. Sim, um vestido branco que de
imediato me lembrou aquele do momento mais lindo que tive com ela.
Todos aplaudiram, principalmente eu.
Cada gesto de Vanessa era lindo. Ela abraçou os convidados um a um.
Discursou, fez brinde e ficou ali, encantada e encantando enquanto todos
cantavam parabéns.
Fiquei muito pouco com ela nesse dia e noite. Mas só de ver aquele
sorriso lindo dentro daquele vestido branco, valeu as horas de estrada que
enfrentei para chegar ali.
No outro dia tomamos café juntos e mais tarde me despedi para retornar a
minha cidade. Aí ocorreu o segundo momento magico.
Vanessa me deu um abraço verdadeiro, apertado, não um abraço cordial
como costuma fazer, mas aquele abraço desavergonhado de quem gosta de abraçar,
que abraça mais que o corpo.
Aquele abraço foi como luz entrando em um quarto escuro.
Chegou chegando...irradiando.... descortinando emoções.
O olhar revela, o beijo confirma, mas o abraço? Ah... esse encerra a
conjunção de todo o sentir.
Dentro de um abraço o tempo para
o coração se alarga
a mente divaga
e as emoções explodem.
Aquele abraço foi o que faltava para um final de semana inesquecível.
Após esse final de semana eu pensei muito em algo que disse a melhor
amiga de Vanessa.
Em certo momento da festa, essa amiga se achegou a mim, quando eu me
encontrava na sacada da sala, olhando para Vanessa, que estava na piscina
tirando foto com seus filhos.
Eu tenho certeza que Vanessa nunca deve ter dito nada sobre nós para sua
amiga. Mas vi em seus olhos que ela já havia, a algum tempo, feito uma leitura
de nós.
Ela me disse: - Um dia vocês voltarão a ficar juntos.
Sem pensar eu respondi: - Não! nosso tempo, mais uma, já passou.
Comecei a refletir nessa curta conversa e cheguei à conclusão que era
bem aquilo mesmo. Tivemos uma grande chance de ficarmos juntos no passado, mas
eu deixei a oportunidade escapar pelos meus dedos. Agora, depois de tanta
mudança de Vanessa, não há como isso acontecer.
Quando recebi uma mensagem de Vanessa, dizendo que trocou os brincos que
lhe dei, minhas conclusões tomaram forma definitiva. Chegou a hora de um de nós
por um ponto final em tudo, para que não termine como da primeira vez, envolto
em magoas.
Nesse final de semana tão especial eu convivi com minha Giralua. A Vanessa
que vejo, em breves momentos. Despojada de sua armadura que veste para, como
Dom Quixote de la Mancha, enfrentar seus falsos monstros, criados pelas
cicatrizes que a vida lhe deu.
Quero em minha mente, além das doces lembranças dos momentos bons que
tivemos nesses últimos anos de reencontro, a memória da Giralua que esteve
presente durante todo final de semana de seu aniversário.
Linda... viva... irradiante... feliz... e maravilhosamente rodando em
seu vestido branco.
Te amo Giralua!!!
Para sempre assim será.
E assim me despeço, seguindo meu caminho sempre enfrente, e levando no
coração as lembranças e o codinome que ele criou para mim...
Giramundo.

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