A ITALIANA

A ITALIANA
"....Hoje a noite namorar, sem ter medo da saudade e sem vontade de casar..."


Poucos antes de conhecer Vanessa, a 20 e poucos anos atrás, eu havia-me
divorciado e passava por um momento complicado de aceitação dessa situação.
Para espairecer fui fazer dança de salão. Com o tempo fiz novas amizades e
acabei me tornado monitor de danças. Eu era bom nisso.
Nesse tempo foi onde conheci minha última esposa e, entre tantas mulheres, a italiana.

A italiana era uma aluna que frequentava muito a academia. Participava de
todas as festas e saídas noturnas com os professores e monitores.
Ela sempre foi uma mulher muito bonita, formas delineadas, mas seu maior charme era o seu jeito italiano de ser.
Espalhafatosa, falante, sincera demais e sensual, muito sensual. Não tinha como sair com ela e ela não ser o centro das atenções.
Eu a achava interessante e gostava de sua companhia.

Nessa época saímos algumas vezes sozinhos e uma vez ficamos juntos em meu
apartamento. Foi uma noite incrível.
Embora com todos esses atributos, além de muito fogosa na cama, nosso relacionamento ficou só nisso.

Nessa época meus relacionamentos não duravam mais que uma noite e às vezes terminavam em amizade. Tempo depois conheceria Vanessa. Que quebraria esse paradigma, entre outros.

Após Vanessa eu me casei com a professora da academia de dança.

Vinte e poucos anos se passaram. Reencontrei com Vanessa e a Italiana me encontrou nas redes sociais e nos tornamos amigos de pequenos compartilhamentos.
Ela estava separada, tinha uma filha da idade da minha mais velha e  morava na
cidade vizinha a minha. Mas não nos encontramos fisicamente.

Quando Vanessa deu a entender que não viajaria comigo para Itália, eu
pensei em aprender italiano e fazer a viagem sozinho. Detalhe, eu
não gosto de viajar sozinho.
Lembrei-me então da Italiana. Conversamos pelas redes sociais e ela aceitou
me ensinar o idioma.

Saímos algumas vezes apenas como amigo e foi me ensinando o pouco que sei de italiano. Pouco antes da viagem tivemos, após anos, nossa segunda noite juntos. Era
inevitável depois de tanto tempo próximos.
Mas nessa mesma noite deixei claro como nossa amizade poderia ser. E deixei
esse trecho da música de Ivan Lins para ela:

"...hoje à noite namorar, sem ter medo da saudade e sem vontade de casar..."

Ela já não tinha mais aquele jeito italiano, estabanada de ser, mas ainda
era uma mulher extremamente fogosa na cama.
Tudo mudou assim que chegamos à Itália. Na Itália parece que o seu DNA voltou a atuar e não demorou em voltar a ser aquela mulher estabanada, de palavras altas e  gestos largos que conheci anos atrás. Minha italiana estava totalmente adaptada ao seu ambiente natural. Que delicia vê-la outra vez assim.

Tivemos dias divertidíssimos e noites deliciosas. Era uma boa companhia durante o dia. Muita culta conhecia de tudo um pouco e me falava de cada lugar que passávamos.
Como já conhecia as cidades, nos levava não apenas a lugares feitos para turistas, mas sim os lugares que os locais frequentavam.

Adorava andar abraçada ou de mãos dadas. Eu gosto de quem abraça desavergonhado de gostar de abraçar. Ela se mostrou extremamente romântica.

As noites eram melhores ainda. Não tinha o mesmo pique para noitadas como Vanessa. Mas, acho que isso ninguém tem.

A sós, as conversas regadas a vinho eram muito boas.
Tudo correu muito bem até a nossa ida a Gênova. Lá, ocorreu nossa desavença por conta dos brincos de Vanessa.

Chegando ao Brasil continuamos a nos encontrar indo alguns shows e teatro.

Um dia Vanessa reapareceu. Saímos, conversamos. Distantes mas ainda amigos.
Mais algumas semanas, retornou e me convidou para uma festa no Rio de Janeiro. Passamos dois dias maravilhosos.
Havia avisado a italiana que faria essa viagem e, como sempre, ela não me perguntou nada.

Dias depois demarquei um compromisso com ela, pois teria que fazer uma
viagem de uma semana ao Sul: Curitiba, Blumenau e Florianópolis.
Quando contei a ela, sua reação me surpreendeu. Ela de imediato me disse que eu iria ao encontro da minha amiga de balneário e, perguntou se por acaso não fora com ela que viajei ao Rio de Janeiro.

Fui pego de surpresa. Desde a história dos brincos em Genova, nunca mais a Italiana havia se quer tocado nesse assunto. Eu havia pensado que esse era um assunto que havia resolvido e ficado na Itália. Pensei que tinha conseguido contornar essa situação. Mas me enganei.

De Vanessa ela nada sabia, nem seu nome. Sabia apenas que era uma querida amiga de Balneário e claro, a presenteada com os brincos que tanto gostou.
Voltar a esse assunto em nada me agradou. Não havia espaço em nossa relação para esse tipo de cobrança. Na verdade não tínhamos nenhuma relação, a não ser uma amizade especial como ficou claro desde o início.

Bem, ali percebi que para ela havia algo há mais e que sentia haver algo especial entre Vanessa e eu. Sendo assim, minha italiana resolveu se afastar.

Que sexto sentido é esse que as mulheres possuem?

Realmente eu planejei essa viagem ao sul de forma que terminasse perto da casa de Vanessa. Queria passar o final de semana em seu paraíso e me divertir em sua companhia.
Mas dessa vez meus planos não deram certo.

Nunca passei tão perto de sua casa e ao mesmo tempo estive tão distante dela.

Mas parece que a italiana leu minha mente.
Fico pensando se sou tão transparente assim.
Mas é uma pena. Ela foi uma amiga especial e muito querida. Gostava muito de sua companhia e das saídas que fazíamos pela cidade.
Infelizmente o universo não conspirou a nosso favor.

A vida sempre continua...

Addio cara mia!

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